É difícil sair de perto de uma chama quando nos acostumamos ao calor dela.
Pode ser a qualquer momento, até mesmo ao meio dia. Não existe algo que incomode no fato de vê-la queimando, incomoda apenas ter que sair de perto.
O tempo às vezes só faz com que ela tenha labaredas ainda maiores, parece que ele sopra e vira combustível junto com algumas palavras bobas e insanas, não nos faz querer voltar a um ponto, o único ponto no qual queremos estar é olhando para a luz azul-amarelada.
Gosto do calor, não minto.
Vou bem devagar, tento não encostar muito, tento me apegar à minha realidade, ela me leva pra longe desse calor. Talvez um dia me queime com isso. Mas e daí? Meu presente me aquece.
Por que será que tenho sempre medo de começar, de chegar perto, e quando já está próximo de acabar, não quero abandonar? Tento esquecer e fico maluca com tanto desejo. Queria pular numa piscina de sorvetes, mas o sorvete já entrou em combustão e dançou com o vento na minha frente, queimando mais que o sol.
Me sinto mais fraca que Ícaro, querendo subir e me queimar no local onde o calor nunca acaba. Gostaria muito de ser feita de ar, e poder me misturar ao fogo sem ser matéria. Ser beijada por ele sem ter ao menos um pouco de fuligem para me marcar.
Eu saberia passar por ele e deixar apenas o desejo de uma próxima vez.
Sou sacerdotisa do vento, mas estou ligada ao chão e não sei voar.
Ele é um sacerdote do fogo, possui dois olhos de brasa perigosa e de água cristalina, eu viro fumaça após me misturar com ele. Em mim só cresce a necessidade de olhá-lo e de beijar seu fogo.
Todos os dias em que me mostra como a chama pode crescer, tenho vontade de deixar minha matéria e virar fumaça para sempre, assim quem sabe vou poder beijá-lo sem que o mundo olhe para mim de forma maldosa.
O calor que me anima, um dia vai queimar minha alegria, espero conseguir sair de perto do fogo antes que isto aconteça.
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Vermelho sangue
Não poderia me sentir menos sobrecarregada que hoje.
Finalmente me dei conta de quanto estou errada, de quanto o
peso dos meus sentimentos é sufocante. As lâminas das tesouras mais próximas
são realmente chamativas e tentadoras. Não tenho coragem de acabar com a vida, mas quando me deixo
emergir nos pensamentos e lembro do olhar dele, meus pulsos namoram estiletes.
Estou tentando me afastar, mas parece que ele não quer isso.
Sinto. E gostaria muito que isso fosse ilusão, não é. Ultimamente venho sonhando com ele todos os
dias e brigo comigo mesma para não vê-lo e o resultado dessa luta dói. No final
das contas ele me chama, e lindo como só ele é, me atrai para um túnel obscuro
de adoração silenciosa.
Se eu enlouquecesse e me tornasse alguém desconcertada seria
melhor, mas minha lucidez é cada vez mais forte, minhas pernas tremem e algo do
qual fujo tanto, paira sobre mim como uma nuvem e se abre como o sol. São
sorrisos e gentilezas, olhares direcionados ao meu corpo que me deixam feliz e
mal ao mesmo tempo.
Ele me olha com fome e tento me conter ao máximo, tento
escapar dele, tento negativar meus polos pra ver se o atraio menos e me
distancio. Há algum componente químico no cheiro dele que me faz tontear e
suspirar, alguma fórmula com poder de alterar o funcionamento do meu corpo.
Fico entorpecida, sem nenhuma defesa, vendo em minha frente
uma pessoa que se tornou um conjunto de partes que desejo, partes que beijo com
os olhos; porém o que não consigo ver, não está nos meus sonhos, minha
imaginação não alcança tantos lugares assim. Consigo fantasiar o contato dele,
o aperto das mãos em minha cintura, o abraço de um mago que terá forças para me
vencer caso eu relute em me entregar.
Dos beijos nem imagino muita coisa, caso ele me beije, meus
pulsos beijarão estiletes e quem ficará manchado de batom vermelho sangue será
a lâmina.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Azul Profundo
Me apaixonei por outro.
E coloco isso aqui porque é um
segredo desses que não consigo contar.
Me apaixonei desde o dia em que vi seus olhos azuis, desde
quando nos falamos o primeiro “bom dia”, há mais ou menos dois meses atrás,
quando fui a uma entrevista de emprego. Minha consciência foi a primeira a
apontar com palavras rápidas que diziam “ele vai ser um problema e você vai
sofrer”. Minha consciência quase nunca
erra, pareço ter um inconsciente mais ligado no mundo que meu consciente.
Para esclarecer as coisas, eu sou
noiva, sem casamento marcado ainda (isso é um pouco complicado e posso explicar
depois), e tenho compromissos financeiros com ele neste momento que me fazem
praticamente casada. Enfim, creio que agora dá para entender que me apaixonei
por “outro”.
E para piorar a situação, este
outro é casado, pai de dois filhos(lindos!), além de ser uma pessoa boa. Porém
ele é HOMEM e não podemos nos esquecer que homens cedem a desejos muito
facilmente, e acho que sou objeto de desejo dele. Não sei em que grau o desejo
dele se classifica, mas qualquer que seja, é perigoso da mesma forma.
Nos primeiros dias de trabalho eu
não conseguia olhar nos olhos dele sem ficar hipnotizada, ele tem um olhar
diferente de tudo o que eu conheci, inclusive do olhar do meu homem, que é
lindo, cristalino, mas perdeu a cor quando os desse outro apareceram na minha
frente. Fico tentando desenhá-lo e a
cada vez que esboço, me apaixono mais e mais. Ele é demais pra mim.
Sou uma pessoa extremamente
amigável e nós nos tornamos amigos rapidamente, conversamos muito, e se eu
tinha algum escudo no meu coração para que ele não entrasse, esse escudo foi
sendo rompido como uma barragem que estoura com o excesso de água. Não é fácil
olhar pra ele, pior ainda é ouvir como ele é bonito também por dentro e sentir
os perfumes que ele usa (e exala!).
Hoje é quinta, e na segunda
feira, conversávamos normalmente através de um bate-papos desses de celular. Eu como sempre o respeitando, soltei uma
piada provocante e ao mesmo tempo engraçada, do tipo que não se malda se não
houver vontade. Ele respondeu como eu queria e como não queria ao mesmo tempo,
e dali em diante as palavras picantes correram soltas e um rio de desejo
explodiu entre nós.
Ele pediu que eu fantasiasse mil
coisas e eu com medo daquela situação, entrava nas pontas dos pés naquela água
profunda, quando me via já estava mergulhada, nadando no mesmo rio. Não quero
expor as coisas que ele disse, mas me
fizeram mergulhar ainda mais no azul profundo dos olhos dele.
Desde esse dia uma tensão grande
entre nós paira no ar quando estamos sós numa sala e minha concentração não
existe. Acabo viajando em momentos sórdidos onde nós esquecemos do mundo e nos
deixamos levar. Posso estar fantasiando demais e talvez ele não sinta muita
coisa(porque já é assediado por muitas e tem o que quiser – se quiser), mas foi
forte demais e minha mente já se esqueceu de levar a realidade em conta.
Hoje, estou deprimida e sem
ânimo, porque não sei mais o que faço para esquecê-lo, ou ainda para matar essa
minha vontade. Estou me sentindo como se ondas gigantes batessem em mim, e não
sei nadar, vou acabar me afogando!
Há uma foto dele, numa rede social que participamos, que me deslumbra. Já salvei no meu celular, exclui e salvei de novo, fico olhando para o retrato sério, o olhar sério, vejo ele sorrindo em alguns momentos, e no final deixo algumas lágrimas caírem (porque não choro facilmente de tristeza). Não quero enlouquecer, não quero tocá-lo, porém meu desejo é cheirar a pele dele, e me acabar em outras coisas que vocês já sabem, quero tudo e nada. Apesar de todo esse desejo, não quero trair e fazê-lo trair.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Meus motivos
Tem certas coisas que são
difíceis de assumir.
Eu tenho dificuldades com muitas
coisas na vida, mas uma delas é assumir meus segredos a pessoas próximas. E
contraditoriamente tenho a mania feia de contar minhas angústias a mais de uma
pessoa, expondo muitos dos meus problemas numa dimensão desnecessária.
Eu sou Maria, poucos conhecem
esse nome. Pelo menos em mim. Os que conhecem, realmente me conhecem e a esses
conto meus problemas, nunca meus segredos. Para que eu conte meus segredos é
necessário mais que me conhecer, deve-se ler meus pensamentos, porque é lá que
eles estão guardados.
Por mais que estejam na flor da
pele, meus segredos tem uma codificação forte, algum tipo de senha que quase
ninguém sabe ler. Por isso sou ótima mentirosa, e assumir isso para alguém
diretamente envolvido comigo é impossível. Talvez meus pais saibam que sou boa
com mentiras, ninguém mais.
E meus segredos nem são grandes
coisas, pequenas intrigas de uma vida normal, agravadas pelas minhas mentiras,
mas se vistos de uma perspectiva externa, eles são bobeiras na vida de uma
“recém-mulher”. Sim, me classifico
assim, porque realmente não sei se sou mulher ainda, talvez eu seja uma mulher
com uma mentalidade que não cresceu.
Sou bonita, se você quer saber.
Não me considero feia, porém não sou uma pessoa que arranque suspiros masculinos
– ou femininos.
A partir de hoje quero revelar
meus segredos, para ninguém específico e para todos. Se um dia vierem a
descobrir quem sou eu, paciência, pelo menos sei que alguém se importou com
minhas histórias. Vou esvaziar minha consciência aqui, porque ultimamente está
difícil dar grandes passos com tantas coisas na minha mente e tantos desejos
errados à flor da pele.
Maria A.
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