quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Vermelho sangue

Não poderia me sentir menos sobrecarregada que hoje.

Finalmente me dei conta de quanto estou errada, de quanto o peso dos meus sentimentos é sufocante. As lâminas das tesouras mais próximas são realmente chamativas e tentadoras. Não tenho coragem de acabar com a vida, mas quando me deixo emergir nos pensamentos e lembro do olhar dele, meus pulsos namoram estiletes.

Estou tentando me afastar, mas parece que ele não quer isso. Sinto. E gostaria muito que isso fosse ilusão, não é.  Ultimamente venho sonhando com ele todos os dias e brigo comigo mesma para não vê-lo e o resultado dessa luta dói. No final das contas ele me chama, e lindo como só ele é, me atrai para um túnel obscuro de adoração silenciosa.

Se eu enlouquecesse e me tornasse alguém desconcertada seria melhor, mas minha lucidez é cada vez mais forte, minhas pernas tremem e algo do qual fujo tanto, paira sobre mim como uma nuvem e se abre como o sol. São sorrisos e gentilezas, olhares direcionados ao meu corpo que me deixam feliz e mal ao mesmo tempo. 

Ele me olha com fome e tento me conter ao máximo, tento escapar dele, tento negativar meus polos pra ver se o atraio menos e me distancio. Há algum componente químico no cheiro dele que me faz tontear e suspirar, alguma fórmula com poder de alterar o funcionamento do meu corpo.

Fico entorpecida, sem nenhuma defesa, vendo em minha frente uma pessoa que se tornou um conjunto de partes que desejo, partes que beijo com os olhos; porém o que não consigo ver, não está nos meus sonhos, minha imaginação não alcança tantos lugares assim. Consigo fantasiar o contato dele, o aperto das mãos em minha cintura, o abraço de um mago que terá forças para me vencer caso eu relute em me entregar.

Dos beijos nem imagino muita coisa, caso ele me beije, meus pulsos beijarão estiletes e quem ficará manchado de batom vermelho sangue será a lâmina.

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