Esse nosso mundo é um pequeno recipiente de confusões
onde tudo o que amamos deve ser medido
com pequenas colheradas e falta de incentivo.
Se pudesse alimentar meu amor
como alimento meus medos
a felicidade já teria transbordado
infinitas vezes
e nunca teria explodido.
Algo do meu coração, pulou fora de mim
e brotou pela primeira vez em outro terreno.
Estou colhendo flores
ao pisar
em cada centímetro do meu caminho,
o qual tive que desviar
para seguir o perfume de um campo
onde a terra já provou que é fértil para o amor.
Agora sei que todas as minhas palavras
podem ser sementes de algo bonito
por mais que sejam apenas palavras,
sinto que delas brotam flores
onde posso recolher néctar
e encher meu coração.
Mas a volta desse caminho
está se estreitando
e ouço as vozes que me chamam
dizendo em tons graves que não tem volta
deste local
onde o chão desmorona
e eu não sei voar.
Não quero voltar
não quero ficar
mas nem o tempo sabe
o que vai acontecer
porque um anjo acabou de me dizer
que,
para colher um amor,
não há estação
nem hora ideal.
Maria Anônima
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Inexistente
A poesia guardada em meu coração
é uma semente de algo
que não classifico como coisa existente.
Porque se pudesse existir
nesse mundo eu não deixaria ficar
ainda não estamos prontos
para permitir tal pureza
não nesta fumaça de coisas infantis.
- É uma guerra diária entre vidas
que não são vividas com sentimento puro.-
Seria deixar um pingo d'água pura
cair numa poça de lama - talvez eu morreria.
E se isso acontecesse
não guardaria nem mais um momento feliz,
os sorrisos não nasceriam e
eu seria condenada a esquecer pra sempre
do seu olhar rindo pra mim.
Não há incentivo
que me faça agir verdadeiramente,
prefiro chorar lágrimas secas e guardadas
do que espalhar o sorriso desse amor,
que não nasceu para esse mundo
e nunca irá morrer aqui.
é uma semente de algo
que não classifico como coisa existente.
Porque se pudesse existir
nesse mundo eu não deixaria ficar
ainda não estamos prontos
para permitir tal pureza
não nesta fumaça de coisas infantis.
- É uma guerra diária entre vidas
que não são vividas com sentimento puro.-
Seria deixar um pingo d'água pura
cair numa poça de lama - talvez eu morreria.
E se isso acontecesse
não guardaria nem mais um momento feliz,
os sorrisos não nasceriam e
eu seria condenada a esquecer pra sempre
do seu olhar rindo pra mim.
Não há incentivo
que me faça agir verdadeiramente,
prefiro chorar lágrimas secas e guardadas
do que espalhar o sorriso desse amor,
que não nasceu para esse mundo
e nunca irá morrer aqui.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Tema de um amor
Eu não te tocaria mesmo que fosse possível,
mas te amaria se ainda mais proibido fosse,
como já é.
Exageradamente intenso,
envolvente como em meus sonhos você me chama,
e me olha, com olhar de caneta,
escrevendo em minha alma notas musicais
de uma canção que me arranha os pulmões
e leva todo meu ar.
Suspiro tentando cantar mas não tenho ar ou palavras.
De todas as opções e de todos os amores
este é um dos que cresceu mais rápido dentro de mim,
sem possibilidades de aborto,
porém com a obrigação de ser morto o quanto antes.
Um compasso errado
que criou uma série de batidas mortais no meu coração.
Vou te cantar com toda a clandestinidade de roubar,
não podendo, não querendo –
não sou eu que mando em mim nesse momento –
mesmo não querendo abrir os olhos e te encarar.
São 90° à direita, atribuídos à distância menos saudável
de todas as vidas que tive,
distância das lágrimas choradas em silêncio
e da vontade de sentir o perfume da tua nuca.
mas te amaria se ainda mais proibido fosse,
como já é.
Exageradamente intenso,
envolvente como em meus sonhos você me chama,
e me olha, com olhar de caneta,
escrevendo em minha alma notas musicais
de uma canção que me arranha os pulmões
e leva todo meu ar.
Suspiro tentando cantar mas não tenho ar ou palavras.
De todas as opções e de todos os amores
este é um dos que cresceu mais rápido dentro de mim,
sem possibilidades de aborto,
porém com a obrigação de ser morto o quanto antes.
Um compasso errado
que criou uma série de batidas mortais no meu coração.
Vou te cantar com toda a clandestinidade de roubar,
não podendo, não querendo –
não sou eu que mando em mim nesse momento –
mesmo não querendo abrir os olhos e te encarar.
São 90° à direita, atribuídos à distância menos saudável
de todas as vidas que tive,
distância das lágrimas choradas em silêncio
e da vontade de sentir o perfume da tua nuca.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Je meurs d'envie
Eu ando morrendo por dentro.
Morrendo com um amor que não devia existir.
Um ácido que foi
sendo produzido no meu coração.
Meu
sangue está vazando aos poucos
num furo que vai me matando,
que vai fazendo meu
coração pulsar
um jato de tristeza vermelha,
a cor que devia estar corando meu
corpo, minhas faces, está vazando.
Não sei o que fazer quando o sangue fica aparente,
tento
esconder a hemorragia que aparece cada vez mais forte nos meus poros.
Minha culpa está sendo transformada em castigo
aos poucos vou morrendo,
me torno zumbi.
E a única coisa que quero sugar
é o cheiro da pele dele.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Amar demais
Se engana quem acha que amor é construído à primeira vista.
Impossível.
Mais fácil criar raiva, antipatia à primeira vista que um amor. Às primeiras vistas são reservadas às paixões, aos desejos de possuir aquele ou aquela, isso é muito físico, não chega a profundidade de um amor. Nunca. Porque quando se fala em amor à primeira vista, eu penso em algo que é contraído, como uma doença contagiosa, adquirida no ar, num toque, num espirro.
Amor é coisa semeada, com base, ele precisa de estágios para virar amor. Nasce já adolescente em forma de paixão, vira uma mistura de cuidado, carinho e atenção, e depois de se firmar na vida de quem sente – sim porque se não vingar como uma plantinha pode virar mágoa, carência e sofrimento.
Há quem sofra por amor, de amor ou por causa do amado.
E já passei por esses estágios - porque não sei o que há comigo, amor é fácil demais de crescer no meu coração. Vai passando pelos estágios de crescimento e sem que eu perceba, já virou amor. Talvez porque eu fantasio muitas coisas na minha vida, amor é uma delas.
Nesse momento estou passando por uma situação na qual reluto todos os dias em acreditar, amar uma pessoa e estar apaixonada por outra é o limite de qualquer loucura. Minha loucura é amar demais.
Impossível.
Mais fácil criar raiva, antipatia à primeira vista que um amor. Às primeiras vistas são reservadas às paixões, aos desejos de possuir aquele ou aquela, isso é muito físico, não chega a profundidade de um amor. Nunca. Porque quando se fala em amor à primeira vista, eu penso em algo que é contraído, como uma doença contagiosa, adquirida no ar, num toque, num espirro.
Amor é coisa semeada, com base, ele precisa de estágios para virar amor. Nasce já adolescente em forma de paixão, vira uma mistura de cuidado, carinho e atenção, e depois de se firmar na vida de quem sente – sim porque se não vingar como uma plantinha pode virar mágoa, carência e sofrimento.
Há quem sofra por amor, de amor ou por causa do amado.
E já passei por esses estágios - porque não sei o que há comigo, amor é fácil demais de crescer no meu coração. Vai passando pelos estágios de crescimento e sem que eu perceba, já virou amor. Talvez porque eu fantasio muitas coisas na minha vida, amor é uma delas.
Nesse momento estou passando por uma situação na qual reluto todos os dias em acreditar, amar uma pessoa e estar apaixonada por outra é o limite de qualquer loucura. Minha loucura é amar demais.
A Rede
É como se estivéssemos os dois balançando numa rede.
Cada um na sua. Minha rede vai e vem, a dele também e nós ficamos nesse balanço cronometrado, coreografado, de duas pessoas que querem se tocar, de duas redes que alcançam o bastante para nos dar vontade de ter cada vez mais impulso. Vamos balançando mais alto e nossa dança fica cada dia mais longa, vai tendo mais propriedade de continuar sozinha, sem querer (querendo).
Quase sempre o balanço dessa rede ameniza seus movimentos e nos vemos num balanço suave, daqueles em que temos medo de exagerar para não cair, praticamente nos arrastamos nesse balanço.
É o balanço de dois amigos que vão apenas conversar para não misturar as coisas, com risos e gracinhas bobas. É o balanço de onde me vejo nos olhos dele brincando como um menino, agindo como um menino, fazendo de tudo para não ser confundida. Os olhos azuis dele me fazem ter a calma de uma pessoa estranha – por pouco tempo. É difícil me manter calma e não me enrolar nas palavras.
E não me enrolar na vontade. Me enrolo e me afasto. A rede começa a balançar novamente, eu começo fazendo o balanço me afastar dele. É ruim, não gosto, porque nenhuma das minhas obrigações que me afastam de algo que eu gosto são boas.
Minha obrigação é observá-lo de longe e dançar no balanço da rede onde nunca vou tocá-lo. Quando a rede nos aproxima, tenho que me distanciar novamente, e isso dói. Não gosto de ser um menino perto dele, não quero ser a amiga, mas sou, se quiser só dessa forma. E às vezes o ridículo aparece, e eu me escondo. Meu respeito por mim transborda no balanço, da mesma forma que um copo derrama quando caminhamos.
Meu verdadeiro par aparece na minha frente algumas vezes e a beleza dele me faz esquecer os olhos azuis. Mas não permanentemente. A rede que parou vai voltar a balançar. E quando ela recomeça depois de muito tempo, vai a uma altura que não consigo controlar.
Gostaria de pular na rede dele. Mas balançar ao lado dele é quase um suicídio, não caibo ali, e vou cair desse lugar tão estreito, vou me machucar, vou morrer. Prefiro viver no brilho dourado dos meus sonhos. Ali é o único lugar onde a rede não balança, é a única possibilidade de estar com os pés no mesmo chão que ele.
Cada um na sua. Minha rede vai e vem, a dele também e nós ficamos nesse balanço cronometrado, coreografado, de duas pessoas que querem se tocar, de duas redes que alcançam o bastante para nos dar vontade de ter cada vez mais impulso. Vamos balançando mais alto e nossa dança fica cada dia mais longa, vai tendo mais propriedade de continuar sozinha, sem querer (querendo).
Quase sempre o balanço dessa rede ameniza seus movimentos e nos vemos num balanço suave, daqueles em que temos medo de exagerar para não cair, praticamente nos arrastamos nesse balanço.
É o balanço de dois amigos que vão apenas conversar para não misturar as coisas, com risos e gracinhas bobas. É o balanço de onde me vejo nos olhos dele brincando como um menino, agindo como um menino, fazendo de tudo para não ser confundida. Os olhos azuis dele me fazem ter a calma de uma pessoa estranha – por pouco tempo. É difícil me manter calma e não me enrolar nas palavras.
E não me enrolar na vontade. Me enrolo e me afasto. A rede começa a balançar novamente, eu começo fazendo o balanço me afastar dele. É ruim, não gosto, porque nenhuma das minhas obrigações que me afastam de algo que eu gosto são boas.
Minha obrigação é observá-lo de longe e dançar no balanço da rede onde nunca vou tocá-lo. Quando a rede nos aproxima, tenho que me distanciar novamente, e isso dói. Não gosto de ser um menino perto dele, não quero ser a amiga, mas sou, se quiser só dessa forma. E às vezes o ridículo aparece, e eu me escondo. Meu respeito por mim transborda no balanço, da mesma forma que um copo derrama quando caminhamos.
Meu verdadeiro par aparece na minha frente algumas vezes e a beleza dele me faz esquecer os olhos azuis. Mas não permanentemente. A rede que parou vai voltar a balançar. E quando ela recomeça depois de muito tempo, vai a uma altura que não consigo controlar.
Gostaria de pular na rede dele. Mas balançar ao lado dele é quase um suicídio, não caibo ali, e vou cair desse lugar tão estreito, vou me machucar, vou morrer. Prefiro viver no brilho dourado dos meus sonhos. Ali é o único lugar onde a rede não balança, é a única possibilidade de estar com os pés no mesmo chão que ele.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Cáries
O amor é mesmo muito estranho.
E já ouvi muitas pessoas dizendo isso. Saber que o amor é estranho, faz parte de um dos maiores clichês da vida, porém ainda assim continuamos amando, nos entregando à essa loucura gigante que é prender a sensação de felicidade à visão de alguém.
Amor e paixão também.
Como fazer para ocultar essa loucura guardada em nós? Nem é tão difícil assim. Só precisamos mentir pra nós mesmos que estamos satisfeitos em amarmos a nós mesmos, numa batalha quase perdida entre nos ver no espelho todos os dias e não gostar mesmo assim ganhamos e nos enganamos repetindo o mantra bobo “sou feliz sozinho”, e não sou. As lembranças nos ajudam muito. Quando estamos do lado daquela pessoa, mesmo que como amigos, guardamos cada momento, cada sorriso, cada piscar do olhar que nos mata por dentro de desejo.
E o tempo... Ah, o tempo!
Nunca me deparei com um fator mais desgastante que esse para quem ama. Ele leva pra nossos olhos os acontecimentos doces e encaixa em nossos dentes o nome, mais doce ainda, esse nome que vai causar cáries na nossa mente, vai corroer nossa rotina e nos fará dormir em nuvens de algodão doce. O que não sabemos, não vemos, vai se colar em nós como açúcar que não foi completamente retirado com água, mesmo se houver lágrimas, ele vai se unir ainda mais aos poros da nossa pele.
Eu me deixo chorar porque as lágrimas descem salgadas nesse gosto adocicado do amor azul e proibido. Não sei até quando isso vai estar em minha pele, meu coração careado de tanto amor, quer parar de bater nessa loucura esquisita que é amar errado.
E já ouvi muitas pessoas dizendo isso. Saber que o amor é estranho, faz parte de um dos maiores clichês da vida, porém ainda assim continuamos amando, nos entregando à essa loucura gigante que é prender a sensação de felicidade à visão de alguém.
Amor e paixão também.
Como fazer para ocultar essa loucura guardada em nós? Nem é tão difícil assim. Só precisamos mentir pra nós mesmos que estamos satisfeitos em amarmos a nós mesmos, numa batalha quase perdida entre nos ver no espelho todos os dias e não gostar mesmo assim ganhamos e nos enganamos repetindo o mantra bobo “sou feliz sozinho”, e não sou. As lembranças nos ajudam muito. Quando estamos do lado daquela pessoa, mesmo que como amigos, guardamos cada momento, cada sorriso, cada piscar do olhar que nos mata por dentro de desejo.
E o tempo... Ah, o tempo!
Nunca me deparei com um fator mais desgastante que esse para quem ama. Ele leva pra nossos olhos os acontecimentos doces e encaixa em nossos dentes o nome, mais doce ainda, esse nome que vai causar cáries na nossa mente, vai corroer nossa rotina e nos fará dormir em nuvens de algodão doce. O que não sabemos, não vemos, vai se colar em nós como açúcar que não foi completamente retirado com água, mesmo se houver lágrimas, ele vai se unir ainda mais aos poros da nossa pele.
Eu me deixo chorar porque as lágrimas descem salgadas nesse gosto adocicado do amor azul e proibido. Não sei até quando isso vai estar em minha pele, meu coração careado de tanto amor, quer parar de bater nessa loucura esquisita que é amar errado.
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