terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Colheita

Esse nosso mundo é um pequeno recipiente de confusões
onde tudo o que amamos deve ser medido
com pequenas colheradas e falta de incentivo.

Se pudesse alimentar meu amor
como alimento meus medos
a felicidade já teria transbordado infinitas vezes
e nunca teria explodido.

Algo do meu coração, pulou fora de mim
e brotou pela primeira vez em outro terreno.
Estou colhendo flores
ao pisar em cada centímetro do meu caminho,
o qual tive que desviar
para seguir o perfume de um campo
onde a terra já provou que é fértil para o amor.

Agora sei que todas as minhas palavras
podem ser sementes de algo bonito
por mais que sejam apenas palavras,
sinto que delas brotam flores
onde posso recolher néctar
 e encher meu coração.

Mas a volta desse caminho
está se estreitando
e ouço as vozes que me chamam
dizendo em tons graves que não tem volta deste local
onde o chão desmorona e eu não sei voar.

Não quero voltar não quero ficar
mas nem o tempo sabe
o que vai acontecer
porque um anjo acabou de me dizer que,
para colher um amor, não há estação nem hora ideal.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Inexistente

A poesia guardada em meu coração
é uma semente de algo
que não classifico como coisa existente.

Porque se pudesse existir
nesse mundo eu não deixaria ficar
ainda não estamos prontos
para permitir tal pureza
não nesta fumaça de coisas infantis.

 - É uma guerra diária entre vidas
que não são vividas com sentimento puro.-

Seria deixar um pingo d'água pura
cair numa poça de lama - talvez eu morreria.
E se isso acontecesse
não guardaria nem mais um momento feliz,
os sorrisos não nasceriam e
eu seria condenada a esquecer pra sempre
do seu olhar rindo pra mim.

Não há incentivo
que me faça agir verdadeiramente,
prefiro chorar lágrimas secas e guardadas
do que espalhar o sorriso desse amor,
que não nasceu para esse mundo
e nunca irá morrer aqui.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Tema de um amor

Eu não te tocaria mesmo que fosse possível,
mas te amaria se ainda mais proibido fosse,
como já é.

Exageradamente intenso,
envolvente como em meus sonhos você me chama,
e me olha, com olhar de caneta,
escrevendo em minha alma notas musicais
de uma canção que me arranha os pulmões
e leva todo meu ar.

Suspiro tentando cantar mas não tenho ar ou palavras.
De todas as opções e de todos os amores
este é um dos que cresceu mais rápido dentro de mim,
sem possibilidades de aborto,
porém com a obrigação de ser morto o quanto antes.

Um compasso errado
que criou uma série de batidas mortais no meu coração.
Vou te cantar com toda a clandestinidade de roubar,
não podendo, não querendo –
não sou eu que mando em mim nesse momento –
mesmo não querendo abrir os olhos e te encarar.

São 90° à direita, atribuídos à distância menos saudável
de todas as vidas que tive,
distância das lágrimas choradas em silêncio
e da vontade de sentir o perfume da tua nuca.