quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Je meurs d'envie


Eu ando morrendo por dentro.
Morrendo com um amor que não devia existir. 
Um ácido que foi sendo produzido no meu coração.  
Meu sangue está vazando aos poucos 
num furo que vai me matando, 
que vai fazendo meu coração pulsar 
um jato de tristeza vermelha, 
a cor que devia estar corando meu corpo, minhas faces, está vazando.

Não sei o que fazer quando o sangue fica aparente, 
tento esconder a hemorragia que aparece cada vez mais forte nos meus poros.

Minha culpa está sendo transformada em castigo
aos poucos vou morrendo,
me torno zumbi.

E a única coisa que quero sugar
é o cheiro da pele dele.


 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Amar demais

Se engana quem acha que amor é construído à primeira vista.

Impossível.

Mais fácil criar raiva, antipatia à primeira vista que um amor. Às primeiras vistas são reservadas às paixões, aos desejos de possuir aquele ou aquela, isso é muito físico, não chega a profundidade de um amor. Nunca. Porque quando se fala em amor à primeira vista, eu penso em algo que é contraído, como uma doença contagiosa, adquirida no ar, num toque, num espirro.

Amor é coisa semeada, com base, ele precisa de estágios para virar amor. Nasce já adolescente em forma de paixão, vira uma mistura de cuidado, carinho e atenção, e depois de se firmar na vida de quem sente – sim porque se não vingar como uma plantinha pode virar mágoa, carência e sofrimento.

Há quem sofra por amor, de amor ou por causa do amado.

E já passei por esses estágios - porque não sei o que há comigo, amor é fácil demais de crescer no meu coração. Vai passando pelos estágios de crescimento e sem que eu perceba, já virou amor. Talvez porque eu fantasio muitas coisas na minha vida, amor é uma delas.

Nesse momento estou passando por uma situação na qual reluto todos os dias em acreditar, amar uma pessoa e estar apaixonada por outra é o limite de qualquer loucura. Minha loucura é amar demais.

A Rede

É como se estivéssemos os dois balançando numa rede.

Cada um na sua. Minha rede vai e vem, a dele também e nós ficamos nesse balanço cronometrado, coreografado, de duas pessoas que querem se tocar, de duas redes que alcançam o bastante para nos dar vontade de ter cada vez mais impulso. Vamos balançando mais alto e nossa dança fica cada dia mais longa, vai tendo mais propriedade de continuar sozinha, sem querer (querendo).

Quase sempre o balanço dessa rede ameniza seus movimentos e nos vemos num balanço suave, daqueles em que temos medo de exagerar para não cair, praticamente nos arrastamos nesse balanço.

É o balanço de dois amigos que vão apenas conversar para não misturar as coisas, com risos e gracinhas bobas. É o balanço de onde me vejo nos olhos dele brincando como um menino, agindo como um menino, fazendo de tudo para não ser confundida. Os olhos azuis dele me fazem ter a calma de uma pessoa estranha – por pouco tempo. É difícil me manter calma e não me enrolar nas palavras.

E não me enrolar na vontade. Me enrolo e me afasto. A rede começa a balançar novamente, eu começo fazendo o balanço me afastar dele. É ruim, não gosto, porque nenhuma das minhas obrigações que me afastam de algo que eu gosto são boas.

Minha obrigação é observá-lo de longe e dançar no balanço da rede onde nunca vou tocá-lo. Quando a rede nos aproxima, tenho que me distanciar novamente, e isso dói. Não gosto de ser um menino perto dele, não quero ser a amiga, mas sou, se quiser só dessa forma. E às vezes o ridículo aparece, e eu me escondo. Meu respeito por mim transborda no balanço, da mesma forma que um copo derrama quando caminhamos.

Meu verdadeiro par aparece na minha frente algumas vezes e a beleza dele me faz esquecer os olhos azuis. Mas não permanentemente. A rede que parou vai voltar a balançar. E quando ela recomeça depois de muito tempo, vai a uma altura que não consigo controlar.

Gostaria de pular na rede dele. Mas balançar ao lado dele é quase um suicídio, não caibo ali, e vou cair desse lugar tão estreito, vou me machucar, vou morrer. Prefiro viver no brilho dourado dos meus sonhos. Ali é o único lugar onde a rede não balança, é a única possibilidade de estar com os pés no mesmo chão que ele.